Emoção marca sessão solene da Alepe em homenagem a dom Helder Camara

Waldemar

Foto: Roberto Pereira Jr.

Em cerimônia marcada pela emoção, a Assembleia Legislativa de Pernambuco lembrou os vinte anos da morte de dom Helder Camara em sessão solene proposta pelo deputado Waldemar Borges. A homenagem, realizada na noite de ontem (21), foi presidida pelo deputado João Paulo e contou com a presença do bispo auxiliar da Arquidiocese de Olinda e Recife, dom Limacêdo Antônio da Silva (representando o arcebispo Fernando Saburido); da presidente do Conselho Curador do Instituto Dom Helder Camara (IDHeC) e conselheira do TCE Teresa Dueire; do diretor executivo da instituição, Antônio Carlos Maranhão; do secretário de Justiça e Direitos Humanos de Pernambuco, Pedro Eurico; da secretária de Cultura do Recife, Leda Alves, e do presidente da Fundarpe, Marcelo Canuto. Na plateia, além de deputados e representantes de entidades sociais, jovens atendidos pela Casa de Frei Francisco – projeto idealizado pelo próprio dom Helder Camara e que atende crianças e adolescentes carentes dos Coelhos, Coque e imediações.

Waldemar Borges iniciou seu discurso destacando uma das muitas mensagens deixadas por dom Helder Camara, que tão bem revela como o arcebispo encarava a vida.”Há gestos que valem como um programa de vida: erguer um candeeiro, afastar as trevas, difundir a luz, mostrar o caminho.São com as palavras do homenageado que iniciamos a celebração da memória daquele cuja vida foi um gesto de afirmação dos mais elevados valores que iluminam o ser humano na sua trajetória rumo à construção de uma sociedade fraterna, justa e igualitária, que há de ser o destino da civilização humana. Hoje, através do testemunho de vida de Dom Helder Pessoa Camara, celebramos o valor da solidariedade humana, da compaixão, da capacidade de nos indignarmos e de reagir frente às injustiças sociais”, destacou o deputado.

Bastante aplaudido, Borges destacou em sua fala que pelas mãos de dom Helder a Igreja, sobretudo a de Pernambuco e a do Nordeste, aproximou-se dos mais oprimidos, levando a própria instituição a refletir sobre questões essenciais, como a latente desigualdade social do país. Pontuou também a atuação corajosa do religioso durante a ditadura militar e a relacionou ao momento atual vivido no Brasil. “Hoje, quando setores poderosos do País flertam ostensivamente com o obscurantismo, quando vemos, estarrecidos, o principal mandatário da República fazer apologia a mais degradante atividade que um ser humano pode promover – a tortura; e tecer referências elogiosas ao mais repugnante dos seres humanos – o torturador; quando vemos a intolerância e o ódio serem praticados e estimulados cotidianamente pelos que deveriam ser os principais construtores da paz social, nos invade um temor enorme de que estejamos à beira de um gravíssimo retrocesso civilizatório. É nessa hora que se faz mais forte a necessidade de reavivar a luta de dom Helder, o Dom da Paz, o Dom da justiça social, o Dom do respeito à liberdade de expressões e de opiniões, o Dom do amor, o Dom da fraternidade tem que estar cada vez mais presente, urgentemente mais presente, em cada um de nós”.

Dom Limacêdo parabenizou a iniciativa do deputado Waldemar Borges em lembrar da data de especial importância. “É uma grande satisfação estar na Alepe, a Casa do Povo, lembrando dom Helder, o homem das bem-aventuranças. Ele era um grande sonhador. Sempre sonhou com a justiça social, com a fraternidade e o amor ao próximo. E enquanto esses forem nossos ideais, dom Helder Camara jamais será esquecido”. Para Antônio Carlos Maranhão, outro orador da noite, perpetuar a memória , a obra e a vida de dom Helder Câmara é uma responsabilidade comum de todos aqueles que se indignam com as injustiças. “Se ele estivesse aqui ficaria alegre em estar em uma casa plural porque ele gostava das diferenças.

Durante a cerimônia, o deputado Waldemar Borges entregou ao IDHeC placa comemorativa alusiva à data, na pessoa de Teresa Dueire, Antônio Carlos Magalhães e jovens atendidos pela Casa de Frei Francisco. Finalizando o evento, foi exibido ainda o documentário Dom Helder: Pastor da Liberdade produzido pelos jornalistas César Almeida, Ciro Rocha e Marcos Cirano.