Requerimento 1851/2020

TEXTO COMPLETO

Requeremos a Mesa, ouvido o Plenário e cumpridas as formalidades regimentais, que seja formulado Voto de Pesar pelo falecimento da produtora cultural Ana Martins da Costa, ocorrido no último dia 17 de fevereiro na cidade do Recife.

JUSTIFICATIVA

Ana Martins da Costa, popularmente conhecida como dona Nanete, nasceu na cidade de Reriutaba, no Ceará, em 11 de julho de 1947. Na década de 50, Ana mudou-se para a ilha de Fernando de Noronha e, com ela, levou uma grande bagagem repleta de ricas manifestações culturais, que mudou o estilo de vida das 500 famílias que povoavam Noronha naquela época.

Formada no magistério, Ana foi professora durante 40 anos, ministrando as disciplinas de história, dança, teatro e artes. Posteriormente, trabalhou no Palácio São Miguel, sede da administração insular, como secretária do administrador.

Em 1960, dona Nanete começou seus trabalhos culturais promovendo a organização do pastoril e a apresentação de danças como Coco de Roda, Ciranda de Onda, Frevo, Maracatu, Caboclinhos, Fandango e Carimbó. Faz parte também do vasto currículo de Ana a inserção da dança do pescador e quadrilhas juninas na ilha.

Para Ana, a arte significava tudo em sua vida. Segundo a edição nº 09 da revista Arquipélago, sua casa era um verdadeiro ateliê, e concentrava toda a produção de vestimentas e adereços para comemorar as datas festivas em Noronha.

Dona Nanete também fundou o “Maracatu Nação Noronha”, em 2004; o espetáculo da Paixão de Cristo da ilha; o grupo “Noronha Danças” e o “Centro Cultural Dona Nanete”.

Em 2017, recebeu o “Prêmio Culturas Populares”, do Ministério da Cultura, pelo trabalho em Fernando de Noronha. Também foi considerada “Embaixatriz da Cultura”, pela UNESCO, e Mestre da Cultura Popular da ilha.

Em 06 de fevereiro, Ana Martins deixou a ilha para ser internada no Hospital São Marcos, devido a um quadro de pneumonia. A produtora sofria de enfisema pulmonar e DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica). Na noite do último dia 17, após onze dias de internamento, não resistiu e veio a óbito.

Dona Nanete deixa o viúvo Severino Cesário da Costa, primeiro namorado com quem se casou no ano de 1953. Fruto dessa união, deixa também 09 filhos, 30 netos, 25 bisnetos e 1 tataraneto.

Certamente, a ilha de Fernando de Noronha perdeu seu maior ícone, no que diz respeito à preservação e manutenção da cultura popular. Noronha ficará mais pobre sem sua presença física, mas seu legado de dedicação e valorização as manifestações artísticas será replicado por todos aqueles que admiravam seu trabalho.

Perante o exposto, solicito aos meus pares a aprovação deste requerimento.