Requerimento No 4163/2017
TEXTO COMPLETO
Requeremos à Mesa, ouvido o Plenário e cumpridas as formalidades regimentais,
que sejam transcritos nos Anais desta Casa o artigo Revolução tecnológica e
senso de urgência, publicado no Diario de Pernambuco, edição do dia
03.11.2017, de autoria da secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação de
Pernambuco, Lúcia Melo.
JUSTIFICATIVA
Neste segundo semestre, pudemos acompanhar uma série de artigos de vários
secretários estaduais nos veículos de comunicação pernambucanos.
Em suas áreas, os gestores discorrem sobre assuntos relacionados às suas pastas
e nos fazem acompanhar a gestão do governador Paulo Câmara, que, apesar da
crise nacional que fez os investimentos caírem em todos os estados brasileiros,
tem conseguido administrar nosso Estado de maneira sólida e consistente,
fazendo o dever de casa, enxugando os gastos, e ainda investindo em
infraestrutura para atrair novos empreendimentos.
No presente artigo, onde solicitamos sua transcrição, Lúcia Melo, secretária de
Ciência, Tecnologia e Inovação de Pernambuco, discorre sobre o avanço da
tecnologia, tão presente no nosso cotidiano; provoca sobre o desafio de
Pernambuco participar como protagonista nestes novos tempos, e sugere relações
interinstitucionais entre governo, setor privado e a academia, como formas de
favorecer o desenvolvimento da inovação do nosso Estado.
Portanto, solicito aos meus pares a aprovação deste requerimento.
Segue abaixo, integralmente, o texto:
- Diario de Pernambuco – 03/11/2017
OPINIÃO
Revolução tecnológica e senso de urgência
Lúcia C. P. de Melo é Secretária de Ciência Tecnologia e Inovação de Pernambuco
Vivemos o limiar de uma nova revolução tecnológica. Mudanças profundas e
aceleradas são observadas nas formas de produção e de consumo de bens e
serviços, no ambiente dos negócios, na oferta de serviços públicos, assim como
na organização da sociedade. O impacto correspondente sobre o emprego é
significativo, em especial com relação ao grau de exigência sobre as
competências e habilidades das pessoas que venham a se integrar à nova força de
trabalho.
Na base dessas transformações estão as tecnologias digitais e o novo universo
da sua convergência com os avanços nas ciências físicas e biológicas. Os
próprios processos de criação e difusão do conhecimento passam a ser alterados,
como se tem observado na disseminação da Inteligência Artificial e da Internet
das Coisas em segmentos tão distintos como saúde, energia, agricultura,
comunicação e defesa.
Ganhos de produtividade e na capacidade de inovar guardam profunda relação com
esse novo ambiente produtivo. Sejam grandes ou pequenas, empresas altamente
competitivas e interconectadas em alto grau, juntamente com centros de pesquisa
de excelência, determinam o novo mapa global do conhecimento e inovação. Com
isso, são intensificados os riscos de exclusão e assimetrias entre as
sociedades.
Estima-se que, em 20 anos, poderá chegar a cerca de 60% a fração de emprego sob
forte ameaça de substituição pelas novas tecnologias em alguns países
desenvolvidos, com os segmentos de mais baixa qualificação sendo os mais
atingidos. Ainda, segundo relatório recente do Fórum Econômico Global, cerca de
65% das crianças que hoje iniciam sua vida escolar deverão trabalhar em
empregos que, no momento, sequer existem. Também cresceram de forma exponencial
o volume de negócios baseado geração e uso de dados.
Pernambuco compartilha das ameaças e oportunidades que se apresentam às regiões
menos desenvolvidas. O Estado precisa se preparar para esse desafio,
certificando seu ingresso na nova matriz produtiva que se avizinha e que é
ancorada na 4ª revolução tecnológica. Aos novos riscos, juntam-se os já
existentes em nossa sociedade e que se devem à forte heterogeneidade da
estrutura produtiva, considerando o potencial inovativo das empresas e a ainda
incompleta base científica e tecnológica e de infraestrutura.
Se corretas, decisões tomadas agora poderão orientar um processo virtuoso de
transição, que assegure uma sociedade mais justa, com qualidade de vida para
todos e mais próspera. Pernambuco está fazendo sua parte. Uma Estratégia de
Ciência, Tecnologia e Inovação (ECT&I-PE 2017-2022) foi definida para os
próximos cinco anos. Ora em implementação, ela toma como referência, além do
cenário de mudanças tecnológicas, o contexto econômico, territorial e a cultura
de todo estado: uma estratégia localmente inspirada e globalmente conectada.
Ainda que possam ocorrer de forma mais lenta, em parte pela conjuntura
econômica que ora enfrentamos, as transformações desejadas não são impossíveis.
Mas são urgentes. Não podemos deixar de exercer um protagonismo ativo na
direção das mudanças. Para isso, precisamos fazer germinar novos compromissos,
inclusive financeiros, entre governo, empresas e academia, de modo a favorecer
o pleno desenvolvimento do sistema pernambucano de inovação, fortemente
identificado com a nova revolução tecnológica e no qual as pessoas possam vir a
se constituir em nossa principal fonte de geração de valor.

