Discurso para Sessão Solene em homenagem póstuma ao ex-governador Eduardo Campos

28.10.2014

Senhor presidente, deputado Guilherme Uchoa,
Governador João Lyra Neto,
Sra. Renata Campos,
Ministra Ana Arraes, Antônio Campos,
Senhores deputados e deputadas aqui presentes e demais autoridades,
Senhoras e senhores:

São passados mais de dois meses da tragédia de 13 de agosto e está vivo, crescentemente vivo, o sentimento que Eduardo Campos permanece entre nós.

As suas palavras, a sua coragem e a sua confiança no futuro de Pernambuco e do Brasil balizam o nosso rumo. Elas exigem trabalho redobrado para que o que foi conquistado, com determinação e esforço coletivo, assegure mais benefícios aos muitos milhões que necessitam dos serviços públicos.

Esse compromisso – compromisso de todos que estiveram ao lado de Eduardo – faz dessa sessão solene não um momento de tristeza. E sim de reflexão serena sobre o que ele representou nas nossas vidas; na política e na administração do Estado; e, principalmente, o que ele já demonstrava poder ser para as próximas gerações de brasileiros, tão sequiosos de esperança.

Ao fim dessa serena reflexão, tenho a certeza que sairemos daqui mais empenhados em fazer da política um ideal, um desejo de servir, todos os dias – como Eduardo Campos fez desde o movimento estudantil, como aprendeu a fazer ao lado de seu avô Miguel Arraes, como compartilhou com Renata e seus companheiros de jornada, como ensinou a seus filhos.

Conheci Eduardo na universidade, nas mobilizações estudantis contra a ditadura. Convivemos desde então, aproximados por antiga amizade existente entre nossas famílias, que sempre estiveram no mesmo campo da luta política. Fui secretário de Estado e líder da bancada do Governo em suas administrações, funções que desempenhei como quem abraça um privilégio: o de poder servir ao mais generoso, inovador, arrojado e competente projeto político que minha geração viu ser posto em prática, aqui ou em qualquer outro estado da Federação Brasileira.

Poderia enumerar relatos e mais relatos sobre seu desempenho, sempre brilhante, como deputado estadual; secretário do Governo e da Fazenda; deputado federal e presidente nacional do PSB. Ou poderia apresentar números e mais números com os resultados de suas duas inovadoras gestões à frente do Governo de Pernambuco.

No entanto, não é necessário. Bastam as votações consagradoras que recebeu para atestar o reconhecimento por seu trabalho e a consistência de um sentimento geral: o de que sob a liderança política de Eduardo Campos, passamos a nos orgulhar ainda mais de sermos pernambucanos.

A firme e constante aprovação interna de seus governos, com repercussões positivas no País e no Exterior, o estimularam a enfrentar o seu maior desafio eleitoral: viabilizar uma terceira via política, a partir da disputa da campanha presidencial deste ano.

Disse Eduardo em abril passado, em Brasília, no pré-lançamento de sua chapa com Marina Silva: “o Brasil não pode ficar sem alternativa, submetido a uma polarização que se arrasta há quase 20 anos. Não pode ficar refém do debate do presente contra o passado, sem cuidar do futuro”.

E afirmou, logo a seguir, na mesma oportunidade: “o que precisamos não é de um gerente, mas de uma liderança que construa o diálogo entre os vários Brasis; que reconheça e respeite suas diferenças; que não divida o Brasil; que não amesquinhe a luta política”.

Ao lado dessa linha estratégica, Eduardo tinha propostas claras, como a de que é possível conjugar a ampliação de programas de inclusão social com o estímulo ao investimento privado e à preservação do meio ambiente.

Defendia ser urgente o restabelecimento do tripé macroeconômico – com câmbio flutuante, meta de inflação e disciplina fiscal – para que se retome o crescimento e se vença o vergonhoso e alastrado déficit de cidadania.

Entendia ser decisivo se fundar uma nova governabilidade, baseada não na barganha por fatias do governo, mas por meio de alianças com os segmentos que possam contribuir para a estabilidade econômica e a aprovação de reformas constitucionais há tempos demandadas.

O que fica de tudo isso, após o desaparecimento da maior liderança política que nasceu em Pernambuco depois de 1964? Da mais promissora liderança política surgida no Brasil nas últimas décadas?

Ficam os compromissos com as lutas do povo; com a defesa da soberania nacional; com a justiça social; o empenho permanente para distribuir os benefícios do progresso com os mais pobres; a coragem de quebrar paradigmas, superar preconceitos e buscar a inovação.

Eduardo Campos nos deixou no auge de sua força. Sua longa experiência política, iniciada ainda na adolescência, lhe deu musculatura para enfrentar e vencer três décadas de embates democráticos.

Estava pronto para ser personagem influente no País por muito tempo. Estava pronto para confirmar-se como um ponto de convergência para os milhões de brasileiros que buscam novos caminhos.

Tudo isso fica ainda mais evidente quando saímos de um processo eleitoral pobre, sem propostas que apontassem para o futuro, marcado pelo voto da negação e não pela afirmação do que pudesse significar algo verdadeiramente novo. O novo que, infelizmente, com a ausência de Eduardo, não encontrou porto para ancorar nessas últimas eleições.

Os pernambucanos sabem que só uma tragédia poderia impedir Eduardo Campos de encantar esse Pais, no chamamento que faria para construirmos um outro Brasil, preservando os avanços, afastando as ameaças e caminhando rumo a novas e fundamentais conquistas, algumas reclamadas com eloquência há muito pela sociedade brasileira.

Mas para nós, ao lado da insuperável perda, fica, sobretudo, o dever de preservar e ampliar o seu legado. Tivemos a honra e a alegria de lutar ao seu lado por uma nova realidade, mais igualitária e solidária, para os pernambucanos e para os brasileiros. Realidade na qual existam oportunidades para os que queiram trabalhar e educar seus filhos, e onde os resultados do desenvolvimento econômico erradiquem a miséria e não sirvam apenas para concentrar a renda nas mãos de minorias.

A sua ausência renova e fortalece em todos nós a decisão, pessoal e coletiva, de sempre avançar, para que esses objetivos, do tamanho dos seus sonhos, que também são os nossos, sejam alcançados. Esteja certo que o seu exemplo alimentará de coragem todos os que, como você, dedicam a vida à luta por uma sociedade justa, igualitária e fraterna.

Tenha a certeza que nunca vamos desistir do Brasil!
Nunca vamos permitir que Pernambuco retroceda!
Nunca vamos nos intimidar diante dos desafios!
Nunca vamos deixar de lutar!

Você estará sempre presente conosco, nos tempos bons e nos difíceis, nos inspirando com sua grandeza, generosidade, determinação e coragem.

Viva Eduardo Campos, sempre presente entre nós!

* Pronunciamento do líder do Governo, deputado Waldemar Borges, durante Reunião Solene em homenagem ao ex-governador Eduardo Campos no dia 28.10.2014.