PSB e PSD formam bloco na Câmara

Os socialistas já começam a dar sinais de que querem demarcar espaços no Recife, tirando o PT de campo. Com o mesmo número de vereadores na Casa de José Mariano – com o término das trocas partidárias, cada legenda ficou com seis -, a bancada do PSB se reuniu, ontem à tarde, com o líder do governo na Assembleia Legislativa, deputado Waldemar Borges (PSB), para tratar da formação de um bloco na Câmara do Recife, juntamente com os quatro representantes do PSD. O anúncio foi oficializado após uma conversa entre o deputado e o presidente estadual do novo partido, André de Paula, no início da noite de ontem. Com isso, a bancada PSB-PSD terá dez vereadores, representando 27% da Casa, e com forte influência na governabilidade do prefeito João da Costa (PT).

Apesar da força que terá o novo bloco, André de Paula afirmou que o grupo terá um compromisso com a governabilidade e que a proposta não é fazer oposição à gestão municipal. “Claro que, devido à quantidade de parlamentares neste grupo, existe uma graduação na vinculação com o governo do Recife. O PSB tem uma ligação muito mais explícita, mas nós do PSD temos, por exemplo, dois vereadores que, devido a sua origem, têm um certo distanciamento. Mas o bloco é a favor do Recife”, afirmou o presidente estadual do PSD.

Apesar dos recentes atritos entre o PSB e o PT, por conta da mudança de domicílio eleitoral do ministro Fernando Bezerra Coelho (PSB/Integra­ção Nacional) para o Recife, Waldemar Borges esclareceu que a formação do bloco não tem nenhuma relação com a questão eleitoral, e que não se trata de uma afronta ao governo municipal. “São dois partidos que resolveram estabelecer uma agenda sobre as questões relevantes do Recife. Nós só discutiremos a questão eleitoral na hora certa”, ressaltou.

O encontro entre os socialistas, de acordo com Waldemar, teve o objetivo de dar boas vindas aos novos vereadores que se filiaram ao partido. No entanto, na pauta da conversa, prevaleceu a formação do bloco, que terá a participação de vereadores que saíram de legendas que compõem a oposição, como Maré Malta (ex-PPS), Gilvan Cavalcanti (ex-PMN) e Romildo Gomes (ex-DEM), além de Sérgio Magalhães (ex-PTC), que tinha posicionamento independente na Casa.

Questionado sobre a atuação dos pessedistas, o deputado afirmou: “O bloco, como todos os blocos parlamentares, tem autonomia, tem sua agenda, tem a possibilidade de apresentar seus nomes. O PSB apresenta o nome de Fernando Bezerra Coelho como uma alternativa para se construir unidade em Recife. Um outro partido que pode compor o bloco amanhã, se quiser apresentar um nome, é um fato normal”, pontou Waldemar. Presente no encontro, o vereador Vicente André Gomes (PSB), colocou outra posição. “A postura individual de cada vereador na Câmara se encerrou sexta. A partir de hoje, todo mundo vai ter que estar um pouco aberto”, expressou.

Fonte: Folha de Pernambuco