Requerimento Nº 1987/2016

Requerimento Nº 1987/2016

 

Requeremos à Mesa, ouvido o Plenário e cumpridas às formalidades regimentais, 
que seja transcrito nos anais desta Casa o artigo “O jaboti e a forquilha”, 
escrito por Aurélio Márcio Nogueira, presidente do CIEPE, e publicado no Diário 
de Pernambuco do dia 01 de maio do vigente ano.

 

Justificativa

 

A edição nº 120, do Diário de Pernambuco, abriga um artigo de opinião que 
oferta outra interpretação sobre a matéria publicada no jornal O Estado de São 
Paulo, em 23 de abril de 2016, intitulada Pernambuco foi do boom ao caos em 
cinco anos. Assina o referido artigo de opinião Aurélio Márcio Nogueira, 
presidente do Centro das Indústrias do Estado de Pernambuco – CIEPE, que é uma 
entidade vinculada ao sistema FIEPE – Federação das Indústrias do Estado de 
Pernambuco, do qual é vice-presidente. 
O artigo, deveras bem escrito, traz um contraponto listando as ações que o 
estado de Pernambuco vem desenvolvendo em tempos de crise econômica, 
reconhecendo que somos também um ente da federação e que atravessamos um 
período turbulento. Aurélio Nogueira, sobretudo, destaca a economia 
pernambucana, que detêm atrativos e chama para si os mais diversos tipos de 
investimentos, da indústria ao turismo, possibilitando um segundo ponto de 
vista à matéria do Estadão.
De forma geral, o texto veiculado pelo jornal paulista não menciona, de certa 
forma, o esforço que tem sido feito aqui em Pernambuco para, apesar de tudo, 
conseguirmos atravessar a crise nacional de uma maneira diferenciada, em 
relação a outros estados. Ainda assim, atravessamos a presente crise com danos 
menores, conseguindo atrair novos investimentos, como citamos acima, e que de 
certa maneira nos ajuda a superar e enfrentar estes adversos tempos em função 
do desmantelo da economia nacional.
Perante o exposto, solicito aos nobres Parlamentares que aprovem o requerimento 
em tela. Abaixo, segue a matéria veiculada no dia 01 de maio:
“O jaboti e a forquilha”
O jornal O Estado de São Paulo, cujo simpático apelido, Estadão, incorpora o 
reconhecimento de seu prestígio e da amplitude de sua influência editorial, 
publicou, no dia 23 de abril, uma longa reportagem, assinada pelos jornalistas 
Alexa Salomão e Alex Silva, sob o título Pernambuco foi do boom ao caos em 
cinco anos. A matéria, encimada por tão bombástico e estapafúrdio título, causa 
estranheza e surpreende. Estranheza porque não faz jus à tradição de seriedade 
e de respeito à verdade, cultivada pelo Estadão, induzindo-nos a conceituar tal 
reportagem no sentido da popular advertência: Jaboti, trepado numa forquilha, 
tem dono e não está ali por acaso. Surpreende porque a substância da matéria - 
desde o título, subtítulos, comentários e avaliações – parece forjada e 
alinhavada, deliberadamente, com o propósito de desenhar uma imagem distorcida 
e desanimadora da economia e do ambiente de negócios, no nosso estado.
É indiscutível a constatação de que o Brasil está mergulhado numa crise de 
múltiplas dimensões, que afeta, severamente, todo o país, nos planos social, 
econômico e político partidário. Até a presidente Dilma, artífice e vítima 
dessa crise, já reconheceu isso. Afortunadamente, as nossas Instituições 
funcionam dentro da normalidade constitucional, e buscam-se caminhos 
democráticos para solucionar os conflitos, na esperança de que depois da 
tempestade venha a bonança. Sabe-se, também, que o motor da crise, no nosso 
sistema federativo fortemente centralizador, propaga, severamente, pelos 
estados, suas forças deletérias e desestabilizadoras. Somos todos crise. Uns 
mais, outros menos. Pernambuco, seguramente, não é o mais abatido e está longe 
de uma situação caótica. 
Os autores da reportagem buscaram, com a meia verdade de suas afirmações, 
estabelecer um fantasioso lapso temporal de “cinco anos”, entre um boom (sic), 
que não explicam como e quando ocorreu, e a ficção de um caos atual, que, 
tendenciosamente, denunciam. Recorreram a estatísticas isoladas, sem 
metodologia comparativa. Requentaram velhas histórias, citando, pitorescamente, 
“causos” e frustrações individuais. Contam estórias sobre o Aedes aegypti e o 
“estrago” que o mosquito estaria causando à indústria pernambucana. Realçam 
dados sobre quedas de receita, do PIB e exigibilidades da dívida pública e 
exploram, com má vontade, as taxas de desemprego, notadamente na Região 
Metropolitana do Recife. Enfim, para um desavisado marciano, em busca de um 
lugar, no Brasil, para investir, Pernambuco, da reportagem do Estadão, nem 
pensar!
Como reconhecemos acima, somos todos crise, mas, ainda assim, Pernambuco se 
mantém firme e forte, com uma governança consciente das dificuldades, e bem 
avaliada. O complexo industrial de Suape se consolida com grandes 
empreendimentos estruturadores, que amadurecem e germinam. Os polos da Jeep, do 
vidro e de fármacos animam a economia do litoral norte. Baterias Moura expande 
sua fábrica em Belo Jardim. Petrolina é um dínamo, no alto Sertão. A energia 
eólica é modelo de produção e geração em Pernambuco. O estado é notável destino 
turístico, com Recife, Olinda, Porto de Galinhas e Fernando de Noronha. O 
comércio conta com os mais modernos equipamentos. O Porto Digital é uma 
referência, na área da TIC… É tanta coisa positiva, que não há mais espaço 
para anotar. Isso é caos, Cara Pálida?!
(Aurélio Márcio Nogueira é presidente do Centro das Indústrias do Estado de 
Pernambuco e vice-presidente da Fiepe)