Requerimento Nº 2202/2016

Requerimento Nº 2202/2016

 

Requeremos à Mesa, ouvido o Plenário e cumpridas as formalidades regimentais, 
que seja transcrito nos Anais desta Casa a matéria “Um patrimônio que merece 
voltar aos trilhos”, publicado no caderno Cidades, da edição nº 100 do Jornal 
do Commercio do dia 12 de junho de 2016.

 

Justificativa 

 

O Jornal do Commercio do último domingo, 12/06, trouxe uma matéria muito 
importante sobre a estrada de ferro desativada, que interliga Gravatá ao 
distrito de Russinhas. Com 17 km de extensão, a estrada corta catorze túneis e 
atravessa seis viadutos, infelizmente, todos em estado de obsolescência. 
Diversas entidades não governamentais, associações e órgãos públicos estão 
engajados em uma possível reativação da linha, que incrementará fortemente o 
turismo do Agreste de Pernambuco.
Em abril de 2015, apresentamos a indicação de número 870, que propunha incluir 
no Programa de Desenvolvimento do Turismo (PRODETUR) iniciativas voltadas ao 
desenvolvimento turístico de Gravatá. Em uma das alíneas da justificativa, 
reivindicamos a elaboração de um projeto executivo para exploração da referida 
linha.
A causa ferroviária deve merecer a atenção de todos nós. Temos exemplos 
exitosos de diversas cidades que contam com um trem turístico, inclusive no 
Brasil, como Campos do Jordão (SP), São João Del Rey (MG), Serra do Mar (PR), 
entre outras. Sabemos que, além do viés turístico, estes passeios contam com um 
atrativo singular, seja pelo visual, clima e até a novidade, haja vista não 
termos ainda atividade similar em Pernambuco. 
Perante o exposto, solicito aos nobres parlamentares a transcrição do referido 
artigo nos Anais desta Casa.

“Um passeio pelos túneis ferroviários da Serra das Russas em Gravatá”
A estrada de ferro que liga Gravatá ao distrito de Russinhas, no Agreste 
pernambucano, tem 17 quilômetros de extensão com 14 túneis escavados nas rochas 
e seis viadutos construídos no século 19. Todos desativados. O último trem 
cruzou a ferrovia em 2000, conduzindo forrozeiros para Caruaru e encerrando um 
ciclo de apitos e fumaça. Defensora da reativação da linha – inicialmente para 
passeios turísticos – a ONG Amigos do Trem percorreu os trilhos escondidos pelo 
mato, sábado passado (4), levando um grupo de caminhantes.
“Esse é o maior trecho da linha férrea do Nordeste com tantas obras de arte no 
percurso”, declara André Cardoso, representante local da ONG Amigos do Trem, 
logo no início da caminhada. Além das passagens subterrâneas e dos viadutos, há 
uma ponte ferroviária entre o túnel nº 1 e a Estação de Pombos, com vão de 
ferro e cabeceiras de pedra. Tudo isso no meio de uma convidativa paisagem 
serrana. “Sem dúvida, é uma das partes da Linha Centro mais favoráveis para o 
turismo sobre trilhos. E na chuva a serra fica ainda mais bonita”, afirma André 
Cardoso.
A aventura na ferrovia de Gravatá, descendo a Serra das Russas, se inicia no 
quilômetro 70 da BR-232. Saindo da rodovia federal logo se chega à linha, 
parcialmente coberta por construções irregulares. “Numa extensão de 400 metros, 
perto da BR, temos problemas de ocupações ilegais e roubo de trilhos”, aponta 
André. O passeio é lento, porque o mato toma conta da estrada e é preciso abrir 
clareiras com ajuda de uma foice, além de manter silêncio para não atrair 
marimbondos e abelhas.
Dos 14 túneis ferroviários, o grupo visitou oito (do 14º ao 7º), incluindo o 
maior de todos, de número 11, com 254 metros de extensão; e o túnel nº 7 (179 
metros) que mantém nas paredes de pedra a fuligem do tempo da locomotiva a 
vapor. Também passou por quatro viadutos, que tiveram as estruturas metálicas 
originais substituídas por concreto na década de 40 pela Great Western, numa 
caminhada de quase oito quilômetros. “Nós queremos chamar a atenção da 
sociedade para o potencial turístico da ferrovia. Mas a volta do trem depende 
de vontade política”, diz André Cardoso.
No mês de maio de 2016, a Prefeitura de Gravatá revelou o interesse em resgatar 
o trecho Gravatá-Russinhas para passeios, com uma Maria Fumaça. “A ideia é 
excelente, a ferrovia tem potencial”, comenta Antônio Veríssimo, um dos 
coordenadores do Grupo de Estudos Turísticos, formado por guias e turismólogos. 
Ele participou da caminhada e disse que a equipe está mapeando pontos de 
interesse turístico do Estado para elaborar o projeto de um novo roteiro de 
visitações e apresentar a empresas do setor. “Os trilhos da Serra das Russas 
são atrativos demais”, destaca.
Frederico Haeckel, representante da Associação Nacional dos Transportadores e 
Usuários de Estradas, Rodovias e Ferrovias (Antuerf), acompanhou o grupo e 
registrou toda a situação da linha, dos túneis ferroviários e dos viadutos. A 
entidade tem interesse em usar o VLT – Veículo Leve sobre Trilhos – numa rota 
turística ligando o Porto do Recife aos municípios de Gravatá e Pombos. “Estou 
avaliando o local para um possível projeto numa parceria com investidores da 
Europa”, informa Frederico Haeckel. “Estamos discutindo o assunto e o Recife e 
Gravatá têm potencial.”
A ideia, diz ele, seria o governo federal bancar o financiamento, o estadual 
contribuir com o roteiro, o municipal fazer as desapropriações necessárias e a 
iniciativa privada garantir a administração do empreendimento. “A proposta é 
viável”, sustenta André Cardoso, lembrando a necessidade de se fazer um estudo 
para analisar as atuais condições das rochas e da estrutura dos viadutos. “É 
preciso trocar todos os dormentes, o ideal seria substituir as peças de madeira 
e ferro, oxidadas, por concreto.”
Com 76 quilômetros de extensão, a Estrada de Ferro Recife-Gravatá, onde ficam 
os 14 túneis abertos de 1887 a 1894, é tombada como patrimônio de Pernambuco 
desde 1986. A Ferrovia Transnordestina Logística, concessionária que opera a 
malha ferroviária Nordeste, informa que a Linha Tronco Centro Recife está em 
processo de devolução à União, proprietária da via.