Requerimento 2330/2020

TEXTO COMPLETO

Requeremos a Mesa, ouvido o Plenário e cumpridas as formalidades regimentais, que seja formulado Voto de Pesar pelo falecimento do jornalista Alberto Rezende, conhecido como Beto Rezende, ocorrido em 18 de julho de 2020 na cidade do Recife.

JUSTIFICATIVA

O jornalismo pernambucano ficou de luto no último terça-feira (18 de agosto de 2020).  Morreu com suspeita de Covid-19, no Hospital Alfa, na Zona Sul do Recife, aos 60 anos, Alberto Rezende, conhecido por todos como Beto Rezende. Além de um profissional extraordinário, daqueles que fazem jus ao jornalismo, sempre dinâmico, inquieto, corretíssimo com as informações, Beto era daquelas pessoas que todos gostam de cara.  Pessoa do bem, voz doce, sempre amável com todos, um ser humano raro. Apesar de ser Sergipano, Beto era o “mais pernambucano dos pernambucanos”, segundo sua irmã Ilma Rezende. “Ele era completamente apaixonado por Pernambuco, pela história, cultura, literatura. O amor por Pernambuco se estendia ao rock, ao jazz, e aos amigos que fez no Estado, disse.

Beto trabalhou nas principais redações do Recife, com passagem pela TV Manchete, TV Jornal, Jornal do Commercio, Diario de Pernambuco e Folha de Pernambuco. Foi militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e compôs a diretoria do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de Pernambuco (Sinjope) entre o final da década de 80 e início da de 90, além de ter atuado em campanhas políticas e foi o fundador do Enquanto Isso na Sala da Justiça, tradição no Carnaval de Pernambuco e um dos blocos mais conhecidos do Brasil.

Nas últimas décadas, Beto dedicou a carreira à área de cultura. Fez parte da Secretaria de Cultura do Recife e Fundação de Cultura da Cidade do Recife entre 2001 e 2008. De 2009 a 2012, comandou a diretoria de Ação Cultural da pasta. Em 2013, o jornalista assumiu a coordenação-geral do Espaço Cultural Mauro Mota, da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), cargo que ocupou até o início de 2016. Depois, foi assessor de imprensa da atual vice-governadora Luciana Santos em Brasília, e voltou em 2018 para chefiar a assessoria da presidência da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe).

Em nota, o Sinjope destacou que o jornalismo pernambucano perdeu uma de suas mais importantes referências. “O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Pernambuco lamenta a morte de Beto Rezende e lembra com muito carinho a luta do companheiro durante a histórica greve de 1990 no Recife. Na premiação da 25° edição do Prêmio Cristina Tavares, no dia 16 de junho deste ano, ele participou com um depoimento sobre a paralisação. Lembrou da união da categoria e da importância do movimento que mudou parâmetros da luta sindical no jornalismo em Pernambuco. Sempre prestativo e combativo pelo bom jornalismo, Beto Rezende deixa uma lacuna nas redações onde fez amigos e vai deixar muita saudade”.

Atualmente, Beto mantinha no YouTube o canal “Dardos e Ideias”. Em sua última publicação falou como a depressão afetou sua vida e como fez para superá-la. “Hoje dou muito valor a vida, a cada momento a cada segundo que eu vivo”, disse.

Tive o privilégio de conviver com Beto em várias jornadas políticas e nele sempre vi um companheiro disposto, extremamente leal, lúcido, tranquilo e destemido.  Beto nunca deixou de militar pelas melhores causas que sempre uniram as pessoas comprometidas com um futuro melhor. Perder ele para essa pandemia, que ceifa tantas vidas, nos deixa profundamente abalados. Uma perda imensa para todos que o conheceram, sua família e amigos. Beto é e sempre será exemplo ao jornalismo pernambucano e exemplo de militante das melhores causas. Sua ausência será muito grande.