Requerimento Nº 303/2015
Requerimento Nº 303/2015
Requeremos à mesa, ouvido o Plenário e cumpridas as formalidades
regimentais, seja formulado voto de pesar pelo falecimento do jornalista Paulo
Sérgio Poppa Scarpa, ocorrido no dia 17 de março do corrente ano, decorrente de
complicações devido a um câncer. Da decisão desta Casa e do inteiro teor desta
proposição, dê-se ciência à família, aos irmãos Clóvis Scarpa, Regina Scarpa e
Helena Scarpa, no endereço na Rua Sagarama, nº 43, Vila Madalena, São Paulo
SP CEP 05444-040.
Justificativa
Natural de Itanhandu (MG), mas considerado por muitos como paulista, talvez
por ter vivido na cidade e trabalhado na Folha de São Paulo, o jornalista Paulo
Sérgio Poppa Scarpa veio para o Recife há 30 anos para trabalhar na sucursal do
jornal paulista na cidade. Apaixonou-se pela capital pernambucana e aqui fixou
residência. Em 1993, foi trabalhar no Jornal do Commercio e por muitos anos foi
titular da coluna Repórter JC.
Profissional exemplar, ético, culto, de inteligência e cultura ímpar, Scarpa,
como era conhecido, adorava literatura, ópera e filmes. Como poucos
jornalistas, era admirado por toda a classe, pelos políticos que tanto
entrevistou e por todos à sua volta. Durante o período que esteve no JC, ele
participou de vários projetos editorias, como o que resultou no livro A Nova
República, Visões da Redemocratização, em2006. Era também presença frequente
nos debates políticos e culturais nas rádios do Sistema Jornal do Commercio de
Comunicação. Em 1994, integrou a equipe que ganhou o Prêmio Esso Regional
Nordeste, com a série “Pernambuco no centro do golpe”. Scarpa trabalhou no SJCC
entre os anos de 1993 e 1996 e em seguida de 1997 a 2013. Estava aposentado
desde 2013.
Scarpa descobriu o câncer na laringe em 2011 e chegou a ser considerado curado
da doença. No ano passado, no entanto, o tumor reapareceu no pulmão. Segundo
sua irmã, a pedagoga Regina Scarpa, em seu apartamento há mais de sete mil
livros. Em entrevista ao Jornal do Commercio, Regina conta que o irmão lutou
contra o câncer até o fim. Ele chegou a manter um blog, o Viva o câncer, nos
dois primeiros anos da doença para estimular as pessoas. “O lema do meu irmão
era: meus livros, meus discos, meus filmes e nada mais”, lembra.
O Recife, seus amigos, colegas de profissão e sua família perdem o convívio
físico com o jornalista e ser humano admirável, mas seu exemplo, trabalho,
talento, suas belas matérias, notas, textos e livros vão ficar pra sempre na
nossa memória.


