Requerimento No 3826/2017

TEXTO COMPLETO

Requeremos à Mesa, ouvido o Plenário e cumpridas as formalidades regimentais,
que seja realizada uma Reunião Solene, no próximo dia 20 de dezembro, em
homenagem a passagem dos 82 anos de J. Borges, artista e cordelista
pernambucano.

JUSTIFICATIVA

Nascido José Francisco Borges, e popularmente conhecido pelo diminutivo J.
Borges, o cordelista e xilogravador bezerrense chega aos 82 anos, em dezembro
de 2017, em plena atividade de seu talento excepcional.
Borges nasceu em 20 de dezembro de 1935, na zona rural de Bezerros, Agreste de
Pernambuco. Filho de agricultores, desde cedo dedicou-se a diversos trabalhos
braçais, priorizando a ajuda no sustento de sua família. Ajudou seu pai na lida
com a terra, foi feirante – quando vendia colheres de pau de sua própria
produção, foi oleiro, dentre outras atividades.
Em 1956, aos 21 anos, despontou o espírito artístico, que sempre residiu dentro
do jovem artista. Iniciou como folheteiro (vendedor de cordel) nas feiras do
interior de Pernambuco, divulgando a cultura popular que é relatada de forma
rimada nas páginas, trazendo temas como folclore, religião, episódios
religiosos, entre outros.
Mais tarde, em 1964, passou a escrever cordéis. Sua primeira obra foi “O
encontro de dois vaqueiros no sertão de Petrolina”, que fora xilogravada pelo
mestre Dila, seu contemporâneo. O cordel de estreia alcançou a marca de 5.000
unidades vendidas em apenas dois meses.
A partir de então, tomou gosto pela escrita – onde cabe o destaque que ele não
frequentou o ensino regular – e apressou-se em escrever um novo texto: “O
verdadeiro aviso de Frei Damião sobre os castigos que vêm”. Especificamente
nesta obra, se iniciou como xilogravador, quando talhou na madeira a fachada da
igreja Matriz de Bezerros para ilustrar a capa de seu segundo cordel. Borges
começou a fazer matrizes por encomenda, bem como xilogravuras que hoje são
impressas em larga escala e diversos tamanhos, atendendo o interesse de
intelectuais, colecionadores e artistas.
Com a admiração de Ariano Suassuna sobre seu trabalho, que o considerou como
“melhor gravador popular do Brasil”, J. Borges ganhou o mundo. Suas obras
percorreram – e ainda percorrem – exposições de países europeus e da América
Latina. Sua fama lhe deu projeção nacional e internacional, quando fora
convidado inúmeras vezes para ilustrar obras literárias, como “As palavras
andantes”, do uruguaio Eduardo Galeano; “O lagarto”, do português José
Saramago, dentre outras.
Com 50 anos ininterruptos de carreira, J. Borges já produziu mais de 300
literaturas em cordel e centenas de xilogravuras. Dentre os países em que sua
obra já foi exposta, cabe o destaque aos Estados Unidos da América, quando o
Museu de Arte Moderna de Nova Iorque e a biblioteca do Congresso
norte-americano, em Washington, abrigaram suas obras.
A J. Borges podemos também creditar o título de “embaixador da cultura popular
nordestina”, graças às suas oficinas ministradas em países como Estados Unidos,
Alemanha, França, Suíça, e tantos outros que foram brindados com os belos
ensinamentos repassados pelo mestre.
Dentre suas premiações e honras, destacam-se a medalha de honra ao mérito,
concedida pela Fundação Joaquim Nabuco em 1990; Ordem do Mérito, concedida pelo
ministério da Cultura em 1999; o Prêmio Unesco, em 2000, dentre tantas outras
que enriquecem e enobrecem o currículo do ilustre bezerrense.
Detentor de uma consciência cidadã, Borges constrói seu legado no Museu da
Xilogravura, de sua propriedade, perpetuando seus conhecimentos à nova geração
através de oficinas – ministradas gratuitamente, com leitura de cordel e
confecção de xilogravuras. Também no espaço do museu, sua obra é exposta e
comercializada com ajuda da sua família.
Em 2006, sob outorga do Governo de Pernambuco, J. Borges recebeu o título de
Patrimônio Vivo. Nada mais justo para um homem genial e comprometido com a
cultura pernambucana. Muito me alegra em ser o autor desta reunião solene, que
certamente celebrará a vida e a obra deste que expõe, através de sua arte, as
nossas ricas tradições e costumes, e leva o nome do nosso Estado para o mundo.
Esta Casa Legislativa, que representa todos os pernambucanos, não pode deixar
de reverenciar a grande figura que é José Francisco Borges. Pela justeza e
importância desta proposição, solicito aos nobres parlamentares, a aprovação
deste requerimento.