Requerimento 930/2019
TEXTO COMPLETO
Requeremos à Mesa, ouvido o Plenário e cumpridas as formalidades regimentais, que seja realizada uma Reunião Solene, no próximo dia 01 de outubro, para celebrar os 100 anos de nascimento da educadora Raquel Correia de Crasto.
JUSTIFICATIVA
Nascida em 03 de outubro de 1919 no município de Vicência, zona da mata norte de Pernambuco, Raquel Correia de Crasto veio de uma família humilde, enfrentando os percalços impostos pela vida. Filha de Manuel Joaquim Correia de Crasto e Josefa da Silva Crasto, Raquel dedicou sua vida à missão de educadora cristã, deixando marcas de competência, qualidade e seriedade em todos os seus assistidos e seus familiares.
Sua vida acadêmica se deu através da pedagogia. Aluna do primeiro curso na Faculdade Frassinetti do Recife – FAFIRE, se especializou em orientação educacional, trabalhando neste ramo com adolescentes e formação de professores. Em 1942, foi nomeada professora da então Escola Rural Alberto Torres, em Tejipió. Em 43, foi designada para trabalhar com crianças especiais na Escola Aires Gama. Também foi fundadora do Instituto Domingos Sávio, escola para alunos com problemas auditivos.
Em 1955, a convite do educador Paulo Freire, participou do grupo que criou o Instituto Capibaribe, primeira escola do Recife considerada “alternativa”, graças a seus métodos de filosofia cristã constituídos em uma base de escola renovada, onde a criança fosse sempre amada, compreendida e respeitada.
O grupo também incluía outros educadores como Anita e Lourdinha Paes Barreto, Elza Freire, Maria José Baltar, Pe. Daniel Lima e Itamar Vasconcelos. O Instituto Capibaribe, que seguia sob o comando de dona Raquel, partia do princípio da educação integral, e seguia o lema “amar para compreender, compreender para educar”, da educadora francesa Pauline Kergomard.
O Capibaribe se destaca por seu método de aprendizado indutivo-dedutivo, que estimula a autonomia e o pensamento dos discentes, despertando o senso crítico para torná-los capazes de integrar conhecimento, pensamento e sentimento na resolução dos problemas.
Dona Raquel foi uma pessoa à frente do seu tempo. No exercício de suas funções, sempre colocava o amor, o humanismo e a paixão como métodos para dirigir o Capibaribe e cuidar de todos os seus alunos. Seu zelo, sua cordialidade e seu espírito de acolhimento se fez presente até nos tempos sombrios da nossa história, quando a mesma abrigou filhos de militares e de políticos perseguidos na ditadura militar.
Permaneceu à frente do Instituto Capibaribe até 1995. Após 40 anos ininterruptos no cargo, deixou a direção por questões de saúde, tornando-se “Diretora Emérita”. Em 15 de agosto de 2004, faleceu na cidade do Recife. Seu legado de ideias e práticas pedagógicas inovadoras seguem vivas, inspirando todos aqueles que enxergam na educação uma possibilidade real de mudar a sociedade.



