Requerimento Nº 561/2011

Requerimento Nº 561/2011

 

Requeremos à Mesa, ouvido o plenário e cumpridas as formalidades regimentais,
seja realizada Sessão Solene no dia cinco de outubro de 2011 (05/10/2011), em
homenagem aos 200 anos de independência da República da Venezuela.
Da decisão desta Casa e do inteiro teor desta proposição, dê-se ciência ao
Consulado daquele País, com Sede à Av. Cons. Aguiar, nº 587, Boa Viagem, nesta
cidade do Recife / PE.

Justificativa

Em 05 de julho deste ano, a Venezuela comemorou seus 200 anos de independência.
País de colonização Espanhola, a Venezuela traz no bojo de sua história
momentos marcantes: a chegada de Colombo em suas costas em 1498; a fundação da
Cidade de Caracas em 1957 – que veio a se tornar seu mais importante centro; o
seu período colonial entre os séculos XVII e XIX com o maciço cultivo do cacau
em suas terras; suas diversas tentativas de libertação do domínio europeu e a
atuação de seus mártires históricos, com destaque para Simon Bolívar, principal
personagem para sua libertação e independência a partir da invasão de Caracas
em agosto de 1813.
Guerras se sucederam após isso, com a resistência Espanhola em deixar o
território Venezuelano, apenas se consolidando a nova República em 1821, após o
intenso período de conflitos ocorrido entre 1817 e 1821. Batalhas como as de
Guyana, Margarita e Caraboro são e serão sempre lembradas.
A independência de uma nação é, sem dúvidas, seu marco mais importante. A
bravura e o inconformismo do povo da Venezuela contra a tirania do colonizador
foi peça fundamental para sua concretização. Ela teve início com a revolução
dos negros e mestiços de coro em 1795. Esse movimento foi efetivamente o
precursor da libertação do país do jugo espanhol.
Outros momentos históricos merecem menção, embora não digam respeito
diretamente ao movimento libertário:
A República dos próceres, quando, após a morte de Bolívar, o país foi governado
por quase duas décadas por José Antonio Páez, colega do grande Simon Bolívar. A
seguir o caudilhismo, que perdurou entre 1859 e 1899, havendo a disputa do
poder entre conservadores e liberais, tendo estes últimos, na figura de Antônio
Guzman Branco, tido um papel muito importante na modernização do país,
consagração do café como principal produto da economia do país, e a
estabilidade política trazida pelo Guzmancismo. A seguir veio quase meio século
de governo da Venezuela pelos Presidentes Cipriano Castro e o ditador Juan
Vicente Gomez, ex-presidente de Castro. Esses governos se mantiveram até 1945,
e foi durante eles que houve a centralização do país, a criação de um exército
nacional e a modernização da administração. É de se pontuar que aí também forma
descobertas as jazidas petrolíferas que até hoje impulsionam economicamente a
Venezuela. O que veio depois foi a evolução da democracia no país, com a forte
atuação da Ação Democrática e do Comitê de Organização Política Eleitoral
Independente. Esses grupos alternaram-se no poder pacificamente entre 1959 e
1999, quando finalmente surgiu o Chavismo, na pessoa do carismático Presidente
Hugo chavez, no poder até os dias atuais.
Esses fatos históricos que houvemos por bem mencionar, porquanto intrínsecos à
história Venezuelana, são um espelho de sua evolução política e econômica.
Entretanto, o mais importante neste momento é se ressaltar a importância da
independência da República Venezuelana há 200 anos, um país irmão e parceiro do
Brasil, e que foi fruto da luta de um povo irresignado com a opressão colonial
tendo enfrentado com coragem, sacrifícios, sangue e abnegada determinação sua
condição de dominado para passar a ser senhor de seu futuro. Um grande povo,
uma grande Nação. Uma outra passagem se faz necessário registrar: a ligação
estreita da Venezuela com o Estado de Pernambuco e nossa capital, Recife. O
General Abreu e Lima, filho do revolucionário José Inácio Ribeiro de Abreu e
Lima, morto em 1817, e que teve importante papel no ideário dos pensadores e
políticos com tendências socialistas da época, era recifense. Teve a patente de
general conferida pelo inesquecível libertador Simon Bolívar, responsável maior
pela independência Venezuelana. Vítima de injustificável perseguição dos
poderosos de seu tempo, foi preso e recolhido ao cárcere em Fernando de
Noronha, por alguns meses. De lá, refugiou-se nos Estados Unidos, de onde saiu
para se incorporar às tropas de Bolívar e participar ativamente das lutas pela
independência daquele país.
De volta ao Brasil, teve sua patente reconhecida pelo Exército brasileiro,
quando de sua reintegração às forças nacionais. Como alguns dos ícones de nossa
história, foi perseguido até o fim, não tendo sequer o direito de descansar no
cemitério local (Santo amaro). Seu corpo foi sepultado no cemitério dos
Ingleses, por liberalidade dos responsáveis por aquele espaço na época.
Teve atuação tão marcante na Venezuela que foi homenageado com um busto doado
por aquele país, que hoje imponentemente encontra-se em uma praça da capital de
nosso Estado. A praça fica na divisa entre os municípios de Recife e Olinda, e
leva o nome do libertador Simon Bolívar. Foi o próprio presidente Hugo Chavez
que trouxe o monumento ao lutador das duas Pátrias.
Tais fatos históricos não só aproximam as duas nações, Brasil e Venezuela, como
vão além: deixam marcas eternas na história de nosso Estado, o que ainda mais e
melhor justifica a realização da Sessão Solene que ora requeremos.

Sala das Reuniões, em 2 de agosto de 2011.

Waldemar Borges
Deputado