Requerimento 191/2023

TEXTO COMPLETO

Requeremos à Mesa, ouvido o Plenário e cumpridas as formalidades regimentais, que seja formulado um Voto de Aplauso ao Movimento Maçônico por sua importante participação na Revolução Pernambucana de 1817 na passagem dos 206 anos desse importante momento da nossa história, comemorados neste mês de março do corrente ano.

JUSTIFICATIVA

No mês em que comemoramos a Revolução Pernambucana de 1817, primeiro movimento anticolonial que efetivamente rompeu com a Coroa Portuguesa,  instaurando uma república independente por 74 dias no Brasil, não seria possível deixar de destacar a participação dos maçons – que ao lado dos padres, comerciantes, proprietários de terra, entre muitos, deram corpo à revolta nativista que contestou o domínio português, repudiando a exploração econômica e os  desmandos do rei D. João VI.

No passado, o movimento maçônico se fez presente em importantes momentos da história. Surgida na Europa entre os séculos 17 e 18 e alinhada à defesa do progresso, ciência e educação, a maçonaria deu sua contribuição à Revolução Americana (Independência dos Estados Unidos), em 1767, à Revolução Francesa, em 1789, ao combate ao nazismo na Segunda Guerra Mundial, por exemplo.

No Brasil, o engajamento de Lojas Maçônicas enquanto centros difusores dos ideais iluministas e antiabsolutista, também foi observado na Inconfidência Mineira (1789), na Independência do Brasil (1822), na Revolução Farroupilha (1835-1845), na abolição da escravatura (1888), na Proclamação da República (1889), entre outras ocasiões.

Tratando aqui sobre a Revolução Pernambucana de 1817, uma profunda desigualdade social marcava a vida na colônia – sobretudo na Capitania de Pernambuco e vizinhas – então submetida a um regime repressor de ideias. A imprensa era censurada e a importação de livros proibida.

Muitos se destacaram na difusão do pensamento iluministas em Pernambuco entre os maçons, como o médico Manuel de Arruda Câmara (fundador da Loja Maçônica Areópago de Itambé, em 1796); o padre João Ribeiro de Pessoa de Mello Montenegro; Domingos José Martins, o general Domingos Teotônio; o padre Miguel Joaquim de Almeida Castro (padre Miguelinho); o capitão José de Barros Lima (Leão Coroado), o comerciante Antônio Gonçalves da Cruz (Cabugá), “embaixador do governo provisório nos Estados Unidos e responsável pela compra de armas para a revolução”, como destaca em texto o historiador Sylvio Mário Bazote.

Hoje encontramos muitas lojas maçônicas envolvidas em ações de filantropia e em atendimento às populações em situação de vulnerabilidade social. Lembrando e homenageando o passado histórico do movimento maçom e sua presença efetiva na Revolução de 1817, destaco duas instituições que, em Gravatá, vem realizando importante trabalho assistencial: a Augusta e Respeitável Loja Simbólica (A.R.L.S) Acácia da Serra nº 3262 e a Augusta e Respeitável Loja Simbólica (A.R.L.S) Fraternidade União Gravataense nº 3555.

Criada em 26 de janeiro de 1996, presidida pelo Venerável Mestre Erivam Miguel da Silva e contando com 25 integrantes, a A.R.L.S  Fraternidade União Gravataense nº 3555 se mobiliza na arrecadação de alimentos e roupas atendendo moradores de bairros carentes da cidade. De forma semelhante, a A.R.L.S Acácia da Serra nº 3262, presidida pelo maçom Valter Santos, dá suporte a instituições sociais desde que foi fundada em 07 de agosto de 2019.
Ações de relevância social focadas no bem da coletividade sob a inspiração dos ventos de 1817.