Requerimento No 2789/2017
TEXTO COMPLETO
Requeremos à Mesa, ouvido o Plenário e cumpridas as formalidades regimentais,
que seja transcrito nos Anais desta Casa o artigo de opinião “Diga
companheiros: Evandro Cavalcanti, presente”, de autoria do escritor e
publicitário José Nivaldo Junior, no Blog do Magno, em 21 de fevereiro de 2017.
JUSTIFICATIVA
Hoje se completam 30 anos da morte de um dos maiores defensores dos
trabalhadores rurais em Pernambuco. No dia 21 de fevereiro de 1987, o advogado,
vereador do município de Surubim e militante político, Evandro Cavalcanti,
então com 39 anos, foi morto covardemente com oito tiros, enquanto caminhava
pelo centro da cidade com sua esposa Jucilete Cavalcanti e a filha Andréa, de 9
anos. Três homens efetuaram os disparos contra o vereador e fugiram numa
Brasília branca. Evandro morreu no local e sua filha ficou ferida no braço.
Enquanto advogado defensor dos trabalhadores rurais de Surubim, Evandro fazia
inúmeras denúncias contra irregularidades e violências praticadas por
proprietários de terra da região, o que teria motivado o crime. Foram
indiciados e presos Severino Sinval, Charles de Farias Guerra e José do Rego
Neto, proprietários das fazendas Cruzeiro Caiana e Umary de Casinhas, um dos
locais de maior conflito com posseiros.
Para homenageá-lo, solicito aos caros parlamentares a transcrição para os anais
desta Casa, o artigo do escritor e publicitário José Nivaldo Júnior, publicado
no Blog do Magno nesta terça-feira, que muito nos fala sobre essa grande perda:
“DIGA, COMPANHEIROS”:
EVANDRO CAVALCANTI, PRESENTE
*Por José Nivaldo Júnior
Há 30 anos, 21 de fevereiro de 1987, não era terça-feira. Era sábado. Dia de
feira, dia de festa, dia de trabalho em Surubim.
Evandro Cavalcanti, 39 anos, vereador pelo PMDB, o partido que enfrentara a
ditadura na luta parlamentar, militante político e advogado do sindicato rural,
caminhava pela rua.
Não estava vagando. Dirigia-se ao sindicato, onde ocorreria uma assembléia.
Levava pela mão a filha pré-adolescente, Andréa. Ao lado, Leta, a mulher e
companheira da vida.
Abordado por um bando de facínoras, a soldo de reacionários inimigos dos
camponeses e da luta popular, disse suas últimas palavras permeadas de
fraternidade: “Diga, companheiros?”. Precisa falar mais para expressar a figura
humana extraordinária que era Evandro Cavalcanti?
Nessa madrugada distante geograficamente é tão perto pela comunicação, escrevo
com lágrimas escorrendo dos olhos.
A lembrança da tragédia – Evandro morto no calçamento, Andréa ferida a bala,
Leta destroçada, é por demais dolorosa.
Neste momento de recordações e dor, tiro o chapéu para Leta, Andréa ,
Marcelinha (minha querida afilhada) , Luiz e Fidel, esposa e filhos de Evandro.
Seguiram a vida, lutando a batalha de cada dia, buscando cada qual a seu modo
ser feliz. Guerreiros da humanidade, todos eles, porque a felicidade é a
vitória definitiva contra a maldade.
Evandro era um amante da vida. Compartilhamos grandes e belos momentos. De
lutas e risos.
Tornou-se, pelo sacrifício, um símbolo que inspira as lutas populares do Brasil
inteiro.
Muitas vezes ele repetiu uma frase que, sinceramente, não lembro se era dele,
minha, de Leonardo Cavalcanti ou de quem quer que seja. Sua voz inconfundível
está nítida na minha memória:”Zé, o povo não tem direitos, tem conquistas”.
Registrado, companheiro. O seu sorriso está presente.


